Ceará registrou 1.535 casos de violência doméstica neste ano
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O Estado do Ceará registrou 1.535 casos de violência
doméstica, entre janeiro e maio deste ano. Os dados foram divulgados na
Planilha de Doenças de Notificação Compulsória, na última quarta-feira (30). O
documento é elaborado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), com o objetivo
de dar transparência, com maior acesso às informações e oportunidade de
resposta aos registros.
Entre os 184 municípios cearenses, Fortaleza apresentou o
maior número de notificações, registrando 421 casos neste ano. Sobral aparece
em segundo lugar, com 409 ocorrências. A tipificação da violência doméstica
como um caso de saúde pública ocorre devido ao grau de propagação do problema.
A violência doméstica atinge principalmente mulheres,
idosos e crianças, mas dentro desses grupos, a agressão ocorre de maneiras
diferentes. "A vítima pode sofrer agressão física, sexual, moral,
patrimonial e psicológica", explica Natália Rios, titular da Coordenadoria
de Políticas Públicas para as Mulheres de Fortaleza. Para Natália, tratar a
violência doméstica como um caso de saúde pública é fundamental. "A vítima
precisa ser levada a um hospital, antes mesmo de ir para a Delegacia. O
acompanhamento tem que ser trabalhado no sentido da saúde", comenta a
coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres.
De acordo com Maria Dolores, professora da Universidade
Federal do Ceará (UFC), a violência doméstica ainda é um problema pouco
registrado, devido a fatores como vergonha e medo, por parte da vítima. Segundo
a professora, é necessário tomar atitudes como "capacitar policiais e
outros profissionais do Poder Judiciário para que as vítimas possam confiar no
sistema de proteção do poder público". Com essas medidas, a professora
acredita que as denúncias tendem a aumentar. Dolores ainda reforça que a
violência doméstica "independe de classe social", e pode atingir
qualquer família.
Diferenças
Entre agressões físicas, verbais, psicológicas, as
mulheres sofrem com a violência doméstica por parte de "namorados,
maridos, ex-namorados, e outros indivíduos que mantêm com elas algum
relacionamento afetivo", explica Maria Dolores, que coordena o Núcleo de
Estudos de Gênero, Idade e Família (Negif) da UFC. A professora comemora a
implementação da Lei Maria da Penha, mas lamenta que os casos de violência
continuem ocorrendo. "É necessário criar condições eficientes para evitar
que isso aconteça. Prevenir faz parte da democracia", completa a
professora.
"Negligência, abandono, abuso financeiro, violência
física e psicológica" são os casos mais comuns que acometem os idosos,
revela Daniel Leão, supervisor do Núcleo de Defesa do Idoso, da Defensoria
Pública do Estado do Ceará. "O idoso fica extremamente depressivo, desacreditado.
Muitas vezes, o agressor é o próprio filho", completa o advogado, ao
exemplificar os comportamentos comuns no cotidiano de idosos violentados.
No caso das crianças, a principal dificuldade para
identificar os casos de violência é a relação de dependência que as vítimas têm
com o agressor que, muitas vezes, são os pais ou responsáveis. "Escolas,
postos de saúde, vizinhos, são grupos primordiais para o reconhecimento dos
casos, a partir da denúncia", explica Henrique Pereira Lima, integrante do
Conselho Tutelar.
"O comportamento precisa ser analisado. As crianças
reproduzem o que vivem, o que recebem. Elas podem ficar mais caladas, tímidas,
medrosas e com medo de se envolver com ´coleguinhas´ na escola, por
exemplo", completa o conselheiro.
Maria Dolores considera a legislação vigente como
"excelente", e lembra que "é dever do Estado e da sociedade o
direito à garantia de segurança e vida". Para isso, as vítimas de
violência doméstica podem contar com o apoio de hospitais, Guarda Municipal,
Delegacia da Mulher, Conselho Tutelar, além da Defensoria Pública do Estado do
Ceará.
Fonte:
Diário do Nordeste
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