Mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros devem buscar os postos de
saúde para receber a vacina HPV. A convocação é do Ministério da Saúde, em Campanha Publicitária de Mobilização e
Comunicação para a Vacinação do Adolescente contra a doença. A expectativa é de
vacinar 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a
14 anos. Para garantir a vacinação deste público, o Ministério da Saúde
investiu R$ 567 milhões na aquisição de 14 milhões de vacinas. A vacina HPV é
eficaz e protege contra vários tipos de cânceres em mulheres e homens.
Desde a incorporação da vacina HPV no Calendário Nacional de Vacinação,
4 milhões de meninas de 9 a 14 anos procuraram as unidades do Sistema Único de
Saúde (SUS) para completar o esquema com a segunda dose, totalizando 41,8%. Com
a primeira dose, foram imunizadas 4 milhões de meninas nesta mesma faixa, o que
corresponde a 63,4%. “É importante alertar que cobertura vacinal só está
completa com as duas doses, por isso quem tomou a primeira dose deve voltar aos
postos após seis meses”, explicou a coordenadora do Programa Nacional de
Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, Carla Domingues.
Entre os meninos, que foram incluídos na vacinação contra HPV no ano
passado, 2,6 milhões foram vacinados com a primeira dose, o que representa
35,7% do público alvo. Em relação à segunda dose, foram aplicadas 911 mil
vacinas em meninos de 11 a 14 anos, completando, desta forma, o esquema de
vacinação.
CAMPANHA HPV
Com o slogan “Não perca a nova temporada de Vacinação contra o HPV”, a
campanha publicitária envolve várias peças e será veiculada no período de 4 a
28 de setembro. O filme mistura imagens reais e animação e traz dois jovens, um
menino e uma menina, fugindo de um vírus em um cenário com inspiração nos
seriados famosos que são de identificação do público jovem e dos pais. A fuga
termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se
vacinam.
Trata-se de uma campanha publicitária para mobilizar a população. A
vacina contra o HPV faz parte do calendário de rotina disponível nas unidades
do SUS, lembra Carla Domingues. “A campanha é importante para lembrar as pessoas
sobre a necessidade da vacinação, esclarecendo o que é mito e boato, e
informações verdadeiras, baseadas em estudos científicos”, observou a
coordenadora.
HPV NO BRASIL
Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017, a prevalência
estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %. O estudo entrevistou 7.586 pessoas nas
capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6 % dos participantes
apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.
O estudo indica ainda que 16,1% dos jovens tem uma Infecção Sexualmente
Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido
para HIV ou sífilis. Os dados finais deste projeto serão disponibilizados no
relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde até o final do ano.
O projeto POP-Brasil é uma parceria do Ministério da Saúde, o Hospital
Moinhos de Vento (RS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto
Alegre (UFCSPA), Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina (FMUSP) –
Centro de Investigação Translacional em Oncologia), Grupo Hospitalar Conceição
(GHC), Secretarias Municipais de Saúde das capitais brasileiras e Secretaria de
Estado de Saúde do Distrito Federal.
Estudos internacionais também apontam o impacto da vacinação na redução
do HPV. Nos EUA, dados mostram uma diminuição de 88% nas taxas de infeção oral
por HPV. Na Austrália, redução da prevalência de HPV de 22.7% (2005) para 1.5%
(2015) entre mulheres de 18–24 anos. Outro estudo internacional mostra que nos
EUA, México e Brasil entre homens de 18 a 70 anos: brasileiros (72%) têm mais
infecção por HPV que os mexicanos (62%) e norte-americanos (61%).
CÂNCER
A vacina HPV previne vários tipos de cânceres contribuindo com a redução
da incidência de cânceres nas mulheres e homens. No mundo, dos 2,2 milhões de
tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados
pelo HPV. A vacina utilizada no país previne 70% cânceres do colo útero, 90%
câncer anal, 63% do câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres
de orofaringe e 90% das verrugas genitais. Além disso, as vacinas HPV protegem
contra o pré-câncer cervical em mulheres de 15 a 26 anos, associadas ao HPV16
/18. As vacinas é segura e não aumenta o risco de eventos adversos graves,
aborto ou interrupção da gravidez.
VACINAÇÃO NAS
ESCOLAS
O Ministério da Saúde enviou ao Ministério da Educação material
informativo sobre as doenças. A ideia é estimular os professores a conversem
com os alunos e familiares sobre o tema. O Brasil é o primeiro país da América
do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina HPV para meninos em programas
nacionais de imunizações. “A participação das escolas é imprescindível para
reforçar a adesão dos jovens à vacinação e, consequentemente atingir o objetivo
de redução futura do câncer de colo de útero, terceiro tipo de câncer mais
comum em mulheres e a quarta causa de óbito por câncer no país”, completou
Carla Domingues.
Para mais informações, acesse a página especializada sobre HPV no portal
do Ministério da Saúde.
Fonte: Ministério da Saúde
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