58% do cigarro vendido no Ceará é contrabando ou sonegação fiscal
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Ahmedabad
Foto: Correio do Brasil
No Ceará, 58% de todo cigarro vendido é contrabandeado
(45%) ou não pago com os devidos impostos (13%). Serra da Ibiapaba, e as
cidades de Massapê, Crateús e Itapipoca seriam os principais bolsões dessas
práticas, cujo alvo de comercialização seria Sobral. A evasão fiscal estimada
no Estado é de R$ 182 milhões, causada por esse tipo de comércio.
Já o prejuízo monetário no Brasil, causado pelo mercado de
produtos ilegais, em geral, é estimado em R$ 146 bilhões, somente em 2017.
Entre 2014 e o ano passado, as perdas somam R$ 491 bilhões. Alimentado por
sonegação de imposto e, principalmente, por contrabando, o comércio desses
produtos, a cada ano, provoca impactos econômicos 13% maiores.
As projeções, com a manutenção da média de crescimento, em
2020, são que o montante de perdas chegue a R$ 210 bilhões. Os dados fazem
parte de levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial
(Etco).
De acordo com a entidade, cigarros (67,40%), eletrônicos
(15,42%), informática(5,04%), vestuário (3,03%), perfumes (2,45%) são os cinco
produtos mais contrabandeados no Brasil, vindos prioritariamente do Paraguai.
"De lá vem cigarro, eletrônicos e roupas. Muito vem por fronteira seca, de
Paraguai e Bolívia, e muito vem pelos portos - o que prescinde um trabalho
constante em fronteiras e portos", indica Edson Vismona, presidente da
Etco.
"A extensão e a dificuldade de controlar as
fronteiras, a permissividade do comércio ilícito das nossas cidades,
impulsionada pelo preços mais baixos, a sensação de impunidade de quem
contrabandeia são algumas das causas que favorecem o mercado ilegal",
aponta Vismona.
O Etco, que tem como associado na câmara setorial do fumo a
Souza Cruz, a maior companhia de tabaco do Brasil, foca o levantamento nos
impactos e números que contrabando e sonegação de cigarros atingem. De acordo
com o instituto, os produtos ilegais já dominam, em 2018, 54% de todo o mercado
brasileiro.
Evasão fiscal, diminuição na arrecadação de impostos; menor
disponibilidade de recursos para gastos públicos com perdas de benefícios
sociais; concorrência empresarial desleal; menor crescimento da economia e
redução de geração de emprego e renda; chegando à lavagem de dinheiro e ao financiamento
do crime organizado e consequentes problemas de segurança pública.
A cadeia de impactos do comércio de produtos ilegais,
contrabandeados ou sonegados, atingem a sociedade em diversas esferas, aponta o
economista e membro da diretoria do Instituto Brasileiro de Executivos de
Finanças (Ibef), Renato Aguiar. "É um efeito em cascata acarretado pelo
contrabando e também pela sonegação", define.
"Perde do erário público, porque é dinheiro que o
Estado deixa de arrecadar. Perde a sociedade, porque esse dinheiro financia
crime organizado. Então, há impacto na segurança pública, porque está ligado ao
tráfico de drogas, de armas e de munição, usando inclusive as mesas rotas.
Perde o consumidor, porque são produtos que não temos como aferir a qualidade,
eles não são certificados, não são regulamentados por agências reguladoras.
Perde a indústria, porque não investe. Todo mundo perde", aponta Vismona.
Para Etco, soluções passam por maior investimento em
segurança, integração de ações de diversos órgãos, instituir parceria com
outros países, estimular o desenvolvimento socioeconômico nas regiões
fronteiriças e fortalecer medidas punitivas.
Fonte: O Povo
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