Família que foi reconhecer corpo terminou presa junto a suspeito do caso Milagres
Mumbai
Ahmedabad
Foto: Thiago Gadelha
Em meio às várias narrativas ligadas às mortes de 14
pessoas em Milagres, houve um caso inusitado que acarretou na prisão de uma
família, que inclui uma mãe e seus dois filhos, além da sua nora. Participam
desse núcleo da história ainda um vizinho e outro homem. As versões contadas
por eles à Polícia se contradisseram e implicaram na perda de liberdade da
família.
Mackson Junio Serafim da Silva, o ‘Júnior Xuré’, de 26
anos, natural de Capela (Sergipe), foi um dos oito suspeitos de participarem da
tentativa de assalto às agências bancárias e que terminaram mortos, no dia 7 de
dezembro deste ano. Ele morava em Delmiro Gouveia (Alagoas) e já tinha sido
preso por tráfico de drogas, em Paulo Afonso (Bahia). A sua trajetória acabou
em um suposto confronto com a Polícia, quando tombou dentro de uma residência,
na localidade de Campo Agrícola, em Milagres. Assim como as outras pessoas
mortas, o corpo de Mackson ainda foi levado ao hospital pelos policiais.
A história dessa família não termina por aí. Um carro, com
a mãe, o irmão e a companheira de Mackson, além de um vizinho, saiu de Delmiro
Gouveia por volta de 11 horas, com destino ao Ceará. Os quatro ocupantes do
veículo que viria a ser abordado alegaram que o objetivo da empreitada era
apenas reconhecer o corpo do ente querido morto. Mas para os investigadores,
eles queriam dar apoio à fuga de outro suspeito de integrar a quadrilha
interestadual. Foi apurado que uma das táticas do bando era manter familiares
por perto da ação criminosa para auxiliarem a fuga e simularem uma viagem em
família.
Na noite daquela sexta-feira (7), uma equipe do Batalhão de
Policiamento Rodoviário Estadual (BPRE) abordou um Fiat Strada na CE-293 (que
liga os municípios de Juazeiro do Norte a Milagres), prendeu cinco pessoas e
apreendeu um carregador municiado de Ponto 40 e uma pequena quantidade de
maconha. Era a família de Mackson e um suspeito de participar do tiroteio.
Resgatado
O homem que supostamente recebeu a “carona” do grupo é
Erivan Jesus da Luz, natural de Paulo Afonso. Para os investigadores, ele é um
dos integrantes da quadrilha interestadual que ia assaltar os bancos.
No depoimento, Erivan desmentiu os outros depoentes,
confessou que conhecia Denilson e Girlan, e acrescentou que foi chamado para a
viagem – ao contrário das versões de que ele pediu uma carona na estrada.
Porém, negou que tenha mandado mensagens para o celular de um dos homens. Como
também rejeitou a posse dos ilícitos encontrados dentro no veículo e a suspeita
de tentativa de roubo.
Depoimentos
Geronilma Serafim da Silva, a mãe, afirmou em depoimento à
Delegacia Regional de Brejo Santo que tomou conhecimento da morte do filho pela
internet e foi atrás do corpo dele em Juazeiro do Norte, onde foi informada que
precisava passar justamente pela Delegacia. Alegou em depoimento que, no
caminho para Brejo Santo, ela e os outros ocupantes do veículo resolveram dar
carona a um rapaz que ela nunca tinha visto na vida – que seria o dono da
munição e da droga.
Jaine Pereira Nogueira, a companheira de Mackson, grávida
de dois meses, também disse que não conhecia o homem que recebeu a carona.
Mesmo assim, ela teria guardado uma sacola com cerca de 40 munições dentro das
calças, que seria do “desconhecido”. O material foi localizado apenas na
Delegacia, quando um policial desconfiou do comportamento nervoso da mulher e
questionou se ela queria mostrar algo. Denilson Moreira da Silva, o irmão,
começou a comprometer a tese da família de que havia um total desconhecido
entre eles.
No depoimento, ele revela que recebeu uma mensagem em seu
aparelho celular, daquele homem, pedindo ajuda. Porém, nega que o conheça ou
mesmo já tenha o visto. Mas o contato do “desconhecido” estava salvo no celular
com o nome de ‘Bro’ (gíria reduzida de “brother”, que significa “irmão” em
inglês).
Girlan Araújo Santos, o vizinho, informou à Polícia que é
motorista e fez um favor de dirigir o veículo da família Serafim da Silva até o
Ceará, para resolver a liberação do corpo, porque ninguém era habilitado. Mas
não sabia quem era o homem que entrou no carro, nem da posse de ilícitos. A
defesa pediu pela liberdade provisória dos quatro suspeitos, já indiciados, mas
a Justiça manteve a prisão em audiência de custódia na última terça-feira (18).
Fonte: Diário do Nordeste (Adaptado)
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