27 cadeias públicas são fechadas no Ceará
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Processo de desativação das cadeias municipais é intensificado com a
chegada de Mauro Albuquerque. Cerca de 1.000 presos, de 27 unidades, já foram
transferidos
Foto: Evilázio Bezerra
O Governo do Estado interditou 27 das 119 cadeias públicas do Estado. A
informação é do secretário estadual de Administração Penitenciária, Luis Mauro
Albuquerque. Elas foram fechadas e deverão ser desativadas.
O número total de presos transferidos ainda está sendo contabilizado
pela secretaria. Mauro Albuquerque estimou, no entanto, que, aproximadamente,
1.000 presos foram realocados em diversas unidades prisionais. A Secretaria
Estadual de Administração Penitenciária (Seap) afirmou, por meio de assessoria
de imprensa, que detalhes do processo não seriam repassados por questões de
segurança.
O processo de desativação das cadeias públicas já havia sido iniciado no
ano passado, mas foi intensificado neste mês com a chegada de Mauro Albuquerque
e a nova política prisional do Estado.
O POVO apurou com fontes da administração estadual que a expectativa é
fechar 80 cadeias publicas no total. Os presos transferidos e suas famílias
deverão receber apoio jurídico e psicossocial da área técnica da Seap.
Também apurou que entre as cadeias fechadas estão algumas unidades de
grande porte como a Cigana (Caucaia). Na lista constam ainda Acaraú, Bela Cruz,
Itapajé, Itarema, Jijoca de Jericoacoara, Morrinhos, Paracuru, Pentecoste, São
Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Paracuru.
De acordo com o secretário, as unidades foram fechadas por questão de
segurança, uma vez que "não tinham estrutura de cadeia".
"Elas não oferecem segurança para o agente trabalhar, não oferecem
segurança para o preso estar lá e não oferecem segurança para a população que
vive ao redor".
Um dos problemas era a superlotação das unidades. Em dezembro do ano
passado, 9.682 presos estavam nessas cadeias, que só tinham capacidade para
3.368. Na última quarta-feira, os 23 presos da cadeia pública de Pacoti fugiram
da unidade. Na vistoria realizada após a ação, policiais apreenderam armas de
fogo, balança de precisão, receptor de sinal de TV e descobriram até mesmo uma
plantação de maconha no terreno ao lado da unidade. A cadeia seria conhecida
como fornecedora de drogas da região.
A ideia do Governo do Estado é construir 14 presídios regionais para
substituir as cadeias existentes. A primeira unidade regional, em Horizonte,
está em fase de finalização.
Ex-presidente do Conselho Penitenciário, Cláudio Justa acredita que o
processo de desativação das cadeias municipais só deve ser concluído com a
construção das novas unidades.
Para ele, o fechamento das cadeias é "corretíssimo", mas é
preciso acompanhar como vai se dar, já que o sistema penitenciário está
superlotado — o excedente médio das unidades prisionais do Estado é de 65,8%.
O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Valdemiro Barbosa,
também comemorou a decisão. Para ele, as cadeias são ultrapassadas, já que suas
estruturas não foram pensadas para abrigar presos. "Ganha a sociedade,
porque tira um presídio do centro urbano, já que a maioria é dentro da cidade,
e ganha também o profissional, que não fica exposto". (Colaboraram Thiago
Paiva e Erick Guimarães)
Fonte: O Povo
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