Criminosos explodem bomba em estrutura de metrô e ateiam fogo em agência bancária no 16º dia de ataques no Ceará
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Agência bancária localizada no Bairro
Aerolândia, em Fortaleza, foi alvo de tiros e incendiada
Foto: João Pedro Ribeiro/SVM
Foto: João Pedro Ribeiro/SVM
Criminosos explodiram uma bomba em uma estrutura do Metrô de Fortaleza,
incendiaram uma agência bancária e tentaram derrubar uma ponte na capital entre
a noite desta quarta-feira (16) e a madrugada desta quinta (17). A onda de
violência no Ceará chegou ao 16º dia seguido com 209 ataques confirmados.
Desde o dia 2 de janeiro, criminosos atacaram ônibus, carros, prédios
públicos, prefeituras e comércios em 46 dos 184 municípios cearenses. Os
ataques começaram em Fortaleza, foram para a Região Metropolitana e também se
espalharam por diversas cidades do interior do estado. De acordo com a
Secretaria da Segurança Pública, 383 pessoas foram capturadas por envolvimento
nos crimes.
O Ministério da Justiça confirmou que enviou um reforço de 355 agentes
da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o estado. O governo do estado
comunicou que convocou policiais militares da reserva para voltar a atuar e
reforçar o combate aos crimes. Tropas da Força Nacional também seguem
reforçando as ações no estado. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT),
classificou as ações criminosas como “atos de terrorismo”.
A agência do Banco do Brasil, localizada na rodovia BR-116, no Bairro
Aerolândia, foi atacada por volta de 1h desta quinta-feira. Criminosos atiraram
diversas vezes contra o prédio do banco e invadiram o local. Eles incendiaram a
agência e depois fugiram.
De acordo com a PRF, os suspeitos usaram combustível para atear fogo na
agência. Caixas eletrônicos e outros objetos foram aingidos. O Corpo de
Bombeiros foi acionado e conseguiu impedir que a agência fosse totalmente
incendiada. O banco foi isolado.
Ainda durante a madrugada, por volta das 3h30, criminosos explodiram uma
bomba em um poste da rede de sustentação elétrica do Metrô de Fortaleza, nas
proximidades da estação do Bairro Couto Fernandes. Devido à ação, o metrô não
realizou viagens durante o início da manhã e a estação ficou fechada.
Localizada na Avenida José Bastos, a estação Couto Fernandes faz parte
da linha Sul do Metrô e atende o público dos bairros Bela Vista, Pici e
adjacências. Técnicos da Prefeitura de Fortaleza estiveram no local e
realizaram reparos no local em que ocorreu a explosão. Equipes da Força
Nacional e Polícia Militar foram acionadas e reforçaram a segurança do
equipamento após o ataque.
Já durante a noite, criminosos usaram artefatos explosivos para tentar
derrubar uma ponte na Rua Chile, no Bairro Bela Vista. O ataque danificiou
parte da estrutura da ponte e danificou um cano de esgoto que passava pelo
local. O barulho da explosão foi ouvido por moradores de outros bairros da
região.
Entenda o que está acontecendo no Ceará
O governo criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou
uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios. O novo
secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas e
armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado iria
parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos.
Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As
ações começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior.
O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e
Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da
Força Nacional reforçam a segurança no estado.
A população de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com
interrupções no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o
fechamento do comércio.
A onda de violência afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no
estado cair.
35 membros de facções criminosas foram transferidos do Ceará para
presídios federais desde o início dos ataques, segundo o último balanço do
Ministério da Justiça.
‘Terrorismo’, diz governador
Em entrevista à GloboNews, nesta quarta-feira, o governador Camilo
Santana disse que as ações criminosas registradas no Ceará são “atos de
terrotismo”. Santana defendeu que o Congresso Nacional revisse a lei
antiterrorismo para tipificar ataques como os que ocorrem no Ceará.
Camilo Santana também confirmou o fechamento de 67 cadeias municipais no
interior do Ceará nos últimos dias. A medida foi uma decisão do novo secretário
da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, segundo o governador.
“Eram cadeias precárias, concentrei na Região Metropolitana para ter
mais controle sobre esses presos. Isso foi uma decisão do próprio secretário
[da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque]. Tenho tido todo o apoio do
poder Judiciário”, afirmou.
Ordens partiram de presídios
Áudios compartilhados entre membros de facções do Ceará revelaram que as
ordens para as ações contra ônibus, prefeituras e prédios públicos partiram de
presidiários. As mensagens chegaram até as autoridades após a apreensão de 407
aparelhos de celulares nas unidades prisionais do estado, no dia 6 de janeiro.
Em uma mensagem, um detento ordena: “Uns toca fogo na prefeitura, uns
toca fogo nas coisa lá dos policial, tá ligado?”. O Palácio Municipal da
Prefeitura de Maracanaú, na Grande Fortaleza, foi um dos 49 prédios públicos
atacados no Ceará. “Agora a bagunça vai começar é com força”, diz outra
mensagem de áudio. “Agora nós vamos parar os ônibus, vamos tocar fogo com vocês
dentro”, ameaça um terceiro detento.
Em outro áudio, um detento diz que a sequência de crimes é uma tentativa
de fazer com que o secretário da Administração Penitenciária desista de medidas
que tornam mais rigorosa a fiscalização no sistema penitenciário. “Vocês vão
tirar esse secretário aí dos presídios. Vocês vão ver, vai piorar é pra vocês”,
ameaça um criminoso.
Reforço na segurança
Mais de mil policiais militares da reserva foram convocados para voltar
a atuar nas ruas ao longo desta semana. No entanto, menos da metade dos agentes
de segurança se apresentaram. Os PMs que já assinaram os documentos, deveriam
ter começado a trabalhar na quarta-feira, mas atrasos na preparação das fardas
e coletes atrasaram a saída às ruas. Devido à baixa adesão, o Governo do Ceará
ainda prorrogou o prazo para que os policiais militares se apresentem no
Comando Geral da PM.
“Logo depois desses ajustes, os policiais militares devem retornar as
ruas até sexta-feira. Eles serão designados em um primeiro apenas para reforçar
o policiamento em Fortaleza. E se necessário podem ser deslocados para outras
regiões do estado”, disse o Relações Públicas da PM, coronel Jano Marinho.
A Polícia Militar informou que a apresentação é obrigatória para os PMs
que estão na reserva há no máximo cinco anos e que moram no Ceará. Aqueles que
não residem no Ceará não estão obrigados a se apresentar.
Quem não se apresentar vai responder administrativamente por
transgressão disciplinar. E quem não puder mais trabalhar precisa trazer um
atestado médico e passar por uma avaliação na PM.
A convocação é possível após a aprovação de uma lei na Assembleia
Legislativa, em sessão extraordinária neste sábado (12), durante o recesso
parlamentar. Os policiais da reserva que voltarem a trabalhar irão receber uma
gratificação extra.
*Conteúdo do G1 CE
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Policial
