Reforma da Previdência chega ao Congresso
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Foto: Marcos Brandão/Senado Federal
Já está no Congresso Nacional o texto base da reforma da Previdência. A
proposta foi entregue em mãos pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, aos
presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, nesta
quarta-feira (20).
Bolsonaro foi acompanhado de ministros, como o da Economia, Paulo
Guedes, e o da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do secretário especial de
Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Segundo Marinho, em linhas gerais, a
proposta ataca principalmente as desigualdades e os privilégios e altera
alíquotas de contribuição para a Previdência, no intuito de preservar sua
manutenção.
"Nós trabalhamos até as 4h da manhã de hoje para entregar esse
texto em tempo hábil, porque há uma série de cálculos que precisavam ser
consolidados e adequações, inclusive de caráter constitucional. Estamos
trabalhando para a equidade, porque todos darão sua contribuição, inclusive os
militares", declarou Marinho.
Rogério Marinho adiantou que o governo também está trabalhando no
combate a fraudes no sistema previdenciário, e que uma proposta de lei para
endurecer a cobrança de dívidas previdenciárias a partir de R$ 15 milhões
também será apresentada em breve. Ele disse que existem cerca de 4 mil
devedores do sistema, em todo o Brasil.
Agilidade
Para o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE),
recém nomeado para o cargo, a intenção principal da reforma é garantir a
manutenção da Previdência e evitar crises profundas, como as enfrentadas pela
Grécia e Portugal. O parlamentar acredita que o texto será analisado e votado
rapidamente pelo Congresso, e ressaltou o empenho dos presidentes das duas
casas legislativas para isso.
Ao afirmar que defenderá o projeto original, Fernando Bezerra disse
estar aberto para dialogar, argumentar e ouvir as sugestões dos parlamentares,
a fim de levá-las à equipe econômica de Jair Bolsonaro.
"É urgente que o Brasil possa criar um novo ambiente na sua
economia, tendo condições de voltar a crescer e gerar mais de um milhão e meio
de postos de trabalho com carteira assinada".
Impacto nas contas
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou que a reforma da Previdência
entregue ao Congresso pode ter impacto de até R$ 1,2 trilhão no orçamento do
setor. Ele disse estar ciente de que as mudanças serão acompanhadas de intensos
debates, inclusive sobre a previsão dos custos para o Estado, mas declarou que
todos os setores da sociedade serão ouvidos.
De acordo com o parlamentar, a proposta leva em conta a preocupação de
fazer com que aqueles que ganham menos contribuam com menos, mas disse que há
um entendimento comum de que todos terão que dar “sua cota de sacrifício”.
Flávio Bolsonaro ressaltou ainda que a margem de negociação do governo para
mudanças no texto é mínima, já que a equipe econômica elaborou a proposta com
base nas necessidades do sistema.
" Ninguém está feliz por ter que apreciar essa matéria. É uma
responsabilidade muito grande, mas se trata de algo necessário, e não temos
mais como fugir desse assunto".
Dificuldade
Na avaliação do senador Paulo Paim (PT-RS), é preciso buscar uma composição
de idade mínima e tempo de contribuição, para que os mais pobres não sejam
prejudicados. Paim acredita que a reforma precisa ser amplamente debatida e não
pode ser votada “de afogadilho”.
O senador, que já solicitou duas audiências públicas sobre o assunto na
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), da qual é
presidente, e na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), prevê que o texto não deve
ser votado antes do final deste ano.
Fonte: Senado Federal
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