Estados nordestinos aprovam criação de consórcio para o desenvolvimento regional
Mumbai
Ahmedabad
O protocolo foi assinado no Fórum de Governadores do Nordeste, em São
Luís (MA). Pautas nacionais também foram discutidas durante o evento
Foto:
Philipe Augusto
Os chefes do Executivo dos nove estados nordestinos aprovaram hoje (14)
a criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste
(Consórcio Nordeste), que terá como primeiro presidente o governador da Bahia,
Rui Costa. O protocolo foi assinado durante a segunda edição do Fórum de
Governadores do Nordeste, no exercício 2019-2022, que ocorreu no Palácio dos
Leões, em São Luís (MA). Agora, cabe a cada Governo autorizar a formação do
consórcio.
Presente na reunião, o governador Camilo Santana destacou a importância
do Fórum para a defesa dos interesses da região e o crescimento dela através do
novo consórcio. “O Fórum de Governadores do Nordeste tem se consolidado como um
momento importante de se discutir e avaliar o momento político do Brasil e
fortalecer as políticas públicas para o País e o Nordeste dentro daquilo que é
consenso. Este consórcio chega também para nos fortalecer e unificar ainda mais
a região”, disse Camilo.
Consórcio Nordeste
Com a criação, os estados passam a ter mais força em negociações
financeiras. Neste modelo, por exemplo, as unidades federativas envolvidas
poderão realizar compras conjuntas com o objetivo de reduzir os custos. Da
mesma forma poderão trabalhar juntos a venda de produtos.
“É uma grande ferramenta de gestão e compartilhamento de projetos,
ideias, apoios mútuos e redução de custos. Uma vez o consórcio formalizado, nós
poderemos fazer licitações de itens que forem comuns e assim mudamos o patamar
de escala da licitação. Todos sabem que se você quer licitar um item, você
consegue um preço. Se vai licitar milhões, consegue outro. Portanto, estamos
mudando de escala, multiplicando por nove estados, o que vai reduzir o custo em
várias áreas. É uma ferramenta inovadora”, declarou o primeiro presidente do
consórcio, Rui Costa, que ficará à frente do consórcio por um ano, podendo
prorrogar por igual período.
O consórcio vai permitir que os estados cedam, principalmente em
períodos de crise, servidores e equipamentos. Fica permitido ainda a realização
de intercâmbios estudantis, projetos conjuntos de infraestrutura, parques
industriais e tecnológicos interestaduais, criação de fundos para financiar
investimentos e troca de tecnologia e conhecimento, entre outras ações.
Debate nacional
As pautas nacionais também foram colocadas em discussão. Na
oportunidade, o grupo fechou pensamento contrário à ideia de desvinculações de
receitas frente as despesas obrigatórias com saúde, educação e fundos
constitucionais. Para os governadores, seria mais relevante discutir o Pacto
Federativo, colocando em debate uma nova distribuição de receitas e
competências.
Com relação ao estatuto do desarmamento, Flávio Dino, governador do
Maranhão e anfitrião do encontro, disse que o posicionamento dos integrantes é
a favor de sua continuidade. “Lembramos que o estatuto do desarmamento é
fundamental para evitar o aprofundamento do ciclo de violência no Brasil. Nós
consideramos que flexibilizar regras de posse e de porte de armar, longe de
gerar paz, vai gerar mais violência”, defendeu Dino, que se solidarizou com as
famílias das vítimas do ataque à escola em Suzano (SP) e lembrou que hoje faz
um ano do assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, e seu
motorista Anderson Gomes.
Previdência
O entendimento dos estados nordestinos é que há necessidade de se
debater uma mudança do modelo atual, mas que é preciso sair em defesa dos que
mais necessitam. Em sua participação, Camilo Santana levantou a necessidade de
se olhar também para os estados e suas questões com a previdência em
consonância com a revisão que a União pretende promover a nível nacional.
“Se a gente consegue resolver de forma emergencial o problema do déficit
(previdenciário dos estados) a gente consegue dar um fôlego. Esse debate
precisa ser feito com o Governo Federal. Todas as medidas que os estados podem
fazer para diminuir seu déficit a maioria aqui já fez. É fundamental que entre
essa solução a curto prazo para os estados”, enfatizou o governador.
Instituições regionais
Durante a reunião outros assuntos foram colocados em debate. Na ocasião,
ficou decidido que o grupo dialogará com os 153 deputados federais e 27
senadores que representam os nove estados para que não haja retrocesso quanto a
mecanismos essenciais para o desenvolvimento regional, a exemplo do Banco do
Nordeste, a Chesf e Sudene.
Além de Camilo Santana, estiveram presentes os governadores Paulo Câmara
(PE), Rui Costa (BA), Fátima Bezerra (RN), Wellington Dias (PI), João Azevedo
(PB) e Belivaldo Chagas (SE). O vice-governador de Alagoas, Luciano Barbosa,
representou Renan Filho, chefe do Executivo.
Governo do Estado do Ceará
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