Sistema de alerta não funcionou, diz coordenadora da Defesa Civil de Crato
Mumbai
Três famílias famílias que moram em barracos improvisados na Avenida
José Alves de Figueiredo, vizinho ao Mercado Walter Peixoto, na beira do canal
do Rio Grangeiro, serão removidas e deverão receber um aluguel social, pago pelo
Município. Na noite de ontem, a água atingiu a altura de mais de um metro, com
lama invadindo os imóveis.
Ahmedabad
Gato morreu afogado na lama. (Foto: Antonio Rodrigues)
As chuvas registradas ontem (18), no sopé da Chapada do Araripe, em
Crato, pegaram muitos moradores de surpresa. No centro, apenas os fortes ventos
chamaram a atenção. A aproximadamente 300 metros de altitude da sede do
Município, o posto pluviométrico do Lameiro registrava 120 milímetros, segundo
a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) em pouco mais
de 40 minutos. Porém, nenhum alerta foi emitido para a Defesa Civil.
Em 2011, uma forte chuva fez o canal do Rio Grangeiro transbordar,
invadindo estabelecimentos comerciais, casas e arrastando carros. Ontem não foi
diferente, mas em menor proporção. Na época, o sistema de monitoramento, ligado
ao entro Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais
(Cemaden), que é interligado ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e
Desastres (Cenad), foi instalado.
Porém, ontem ele não funcionou. “Foi muito atípico. Aconteceu muito
rápido. A gente não recebeu nada sistema de alarme. Nós temos um monitoramento
24 horas, que manda todas as situações para o estado. Em nenhum momento a
Defesa Civil recebeu nenhum alerta”, lamenta a coordenadora da Defesa Civil de
Crato, Josemeire Melo.
Até agora, a Defesa Civil de Crato não confirmou se houve falha no
equipamento ou na transmissão do alerta. A equipe do Sistema Verdes Mares
entrou em contato com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC),
mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
A quadra invernosa na região do Cariri começa mais cedo, já no mês de
janeiro, ao contrário das outras regiões do Estado, que chovem com mais intensidade
a partir de fevereiro. Por isso, ano passado, já haviam sido feitos os
trabalhos de prevenção e cadastro das famílias em situação de risco. “Hoje,
nossa preocupação é tirar as famílias do entorno do canal e vamos pedir a
derrubada de alguns imóveis”, completa Josemeire.
A família do catador Francileudo Firmino de Farias, por exemplo, perdeu
móveis, alimentos. Inclusive, animais de estimação morreram afogados. “Aqui foi
de repente. Coisa de minuto. Aqui não choveu, só teve vento. Nós se agoniamos,
só deu para tirarmos as crianças. Ninguém dormiu mais”, narra. Ele conta que
paga um aluguel de R$ 350 pelo barraco de pouco mais de seis metros de
comprimento.
Fonte: Diário do Nordeste
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