STF vota hoje anulação da condenação de Lula
Mumbai
Ahmedabad
Foto: Reprodução
Um pedido de nulidade do processo que condenou o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi incluído pelo ministro Edson
Fachin na pauta desta terça-feira (11) de julgamento da Segunda Turma do STF
(Supremo Tribunal Federal).
O processo estava sendo analisado pelo plenário virtual do
colegiado, mas, a pedido do ministro Gilmar Mendes, foi transferido para o
plenário físico.
O julgamento acontece no momento em que a Lava Jato e o
ministro Sergio M0oro (Justiça) estão sob pressão, com o vazamento de conversas
relacionadas à operação entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol.
Integrantes do Supremo ouvidos reservadamente pela Folha
dizem, no entanto, que a análise do recurso não deve ter efeito prático para
Lula.
A Segunda Turma do STF é formada pelos ministros Gilmar
Mendes, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Originalmente, o pedido de Lula questionava a atuação do
relator da Lava Jato no STJ (Superior Tribunal de Justiça), Felix Fischer, que
negou recurso contra a condenação do petista no caso do tríplex de Guarujá
(SP).
Para a defesa de Lula, a decisão não poderia ter sido
tomada individualmente, e houve restrição indevida à possibilidade de
sustentação oral, prejudicando a defesa.
Em fevereiro, Fachin rejeitou o recurso dos advogados do
petista. A defesa de Lula, então, recorreu novamente.
Embora a Quinta Turma do STJ tenha acabado julgando o caso
e reduzindo a pena de Lula de 12 anos e um mês para 8 anos e 10 meses de
prisão, os advogados sustentam que persistiu o que chamam de coação ilegal. De
acordo com eles, não há correlação entre a acusação e a condenação contra Lula.
De acordo com eles, a acusação fala em três contratos
específicos que teriam gerado recursos para a compra e a reforma do tríplex e que a vantagem indevida seria a propriedade
do imóvel. Já as decisões condenatórias, dizem, reconhecem que não é possível
dizer de onde teria vindo os valores e que ele não é prioritário ou possuidor,
mas que o imóvel teria sido "atribuído" a ele.
No pedido de habeas corpus que vai a julgamento na Segunda
Turma, a defesa pleiteia a anulação da decisão individual de Fischer que negou
o prosseguimento do recurso no STJ. Para a defesa, a apreciação do recurso
deveria ter sido colegiada, na Quinta Turma do STJ.
Além desse pedido, a defesa de Lula ainda recorre da
condenação no próprio STJ, que vai julgar embargos ainda pendentes do caso. Se
suas solicitações não forem atendidas, ele poderá pedir a absolvição ainda no
Supremo.
Depois das revelações do site The Intercept Brasil,
integrantes do Supremo passaram a alimentar a expectativa de que Gilmar Mendes
liberasse outro caso do ex-presidente pendente de julgamento: um recurso que
pede a anulação do processo sob o argumento de suspeição do ex-juiz Sergio Moro
no caso do tríplex.
A avaliação é a de Gilmar poderia usar o julgamento do
recurso para dar um recado a Moro e à cúpula da Lava Jato. Integrantes da corte
dizem esperar que o caso seja apreciado ainda neste mês.
(Folhapress)
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