Escrivã da Polícia Civil que salvou torcedores de agressão recebe elogio do Delegado Geral do Ceará
Mumbai
Ahmedabad
Foto: Ascom/SSPDS
“Eu te chamei aqui para agradecer pelo seu ato de bravura,
porque apesar de estar de folga, sozinha e principalmente por estar gestante,
você fez exatamente o que jurou fazer, defender a sociedade acima de tudo.
Então restam só elogios a sua pessoa”, com essas palavras, o delegado geral da
Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Marcus Rattacaso, agradeceu, em um
encontro, na manhã dessa terça-feira (6), à escrivã Tárgilla Bié Brito, em nome
da instituição, pelo ato de bravura ao salvar dois torcedores, pai e filho, de
uma agressão cometida por diversos homens. A ação ocorreu, no último domingo
(4), no bairro Serrinha, em Fortaleza.
Tárgilla Brito é escrivã de Polícia Civil há pouco mais de
um ano, e apesar da pouca idade, 25 anos, ela já foi guarda municipal de
Fortaleza durante três anos. Tárgilla está grávida de cinco meses da sua
primeira filha: a Cecília. E foi justamente pensando como mãe, que ela resolveu
agir encerrando as agressões contra as vítimas. “Na hora que eu vi, eu pensei
logo que matariam o rapaz e que poderia ser uma mãe chorando a perda de um
filho. O adolescente que estava na garupa da moto e foi arrastado estava
levando muitos chutes na cabeça. Eu sabia que se não fizesse nada, talvez
aquele torcedor tivesse morrido ou até estivesse em coma, e teria uma mãe
chorando junto com ele”, disse ela.
A escrivã, atualmente lotada na Delegacia Metropolitana de
Horizonte, passava pelo local com seu esposo quando se deparou com a situação.
Ela relembrou como tudo ocorreu. “Eu estava passando quando observei um grupo
de torcedores que se aproximava. Quando eu olhei para o lado, uns rapazes
chutaram a moto de um senhor que estava com a camisa do Ceará. A moto
desequilibrou e caiu no canteiro central, foi quando um monte de gente foi para
cima, tanto do senhor que pilotava quanto do adolescente. Eu imediatamente
pensei que iriam matá-los. Foi quando eu saquei a arma e dei o primeiro disparo
para cima, de advertência. Alguns se dispersaram, mas outros continuaram com as
agressões. Então tive o ímpeto de correr e falei para parar. Foi quando dei o
segundo disparo, mesmo assim, continuaram agredindo. Quando virei e atirei a
terceira vez, um dos agressores chegou a reclamar que eu não poderia atirar
nele e fez a menção de voltar. Nessa hora eu aponto a arma e grito que sou
‘polícia’, foi quando todos fugiram”, relembra Tárgilla.
A escrivã contou ainda que no primeiro momento não percebeu
que as vítimas tratavam de pai e filho. Ela disse que ouviu o adolescente
chamar pelo pai, mas achou que poderia ser pelo fato de estar atordoado. “Na
hora que parou, eu ouvi ele gritando ‘pai, pai’, foi quando a outra vítima se
aproximou”.
Aos ser questionada sobre o que gostaria de falar para as
pessoas que ajudou, Tárgilla manda um recado: “agradeçam a Deus pelo livramento.
Talvez as orações da mãe do adolescente em casa, pedindo para proteger, foi o
que me colocou lá na hora”. Ela ainda afirmou que se fosse preciso, faria tudo
novamente. “Eu faria tudo outra vez, mesmo me colocando em risco. Vou ser mãe,
e me pergunto: Se fosse um filho meu? Ou até mesmo se fosse algum familiar meu
que estivesse na situação e tivesse alguém lá podendo ajudar e não tivesse
feito, eu me sentiria muito mal. Eu jurei defender as pessoas”, finaliza ela.
Ainda na terça-feira (6), após a conversa entre Tárgilla e
Marcus Rattacaso, uma portaria do gabinete do delegado geral, com um elogio
ressaltando a bravura e o destemor da servidora, foi encaminhada para o
Departamento de Gestão de Pessoas (DGP) da PCCE para registro nos assentamentos
funcionais de Tárgilla e publicação no Diário Oficial do Estado.
Ascom/SSPDS
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