Pefoce emite carteira de identidade com o símbolo do autismo
Mumbai
Ahmedabad
As carteiras de identidade emitidas pela Perícia Forense do
Estado do Ceará (Pefoce) já podem incluir o símbolo que representa o Transtorno
do Espectro Autista (TEA), também conhecido por autismo. A iniciativa da
Coordenadoria de Identificação Humana e Perícias Biométricas (CIHBP) é
fundamentada no Decreto Federal nº 9.278/2018, que dispõe sobre a identificação
das condições específicas de saúde de pessoas com necessidades especiais.
Porém, com bastante sensibilidade pela causa, a coordenação da CIHPB determinou
também a inclusão do símbolo que representa o TEA.
O autismo é simbolizado pela fita desenhada com peças de
quebra-cabeça coloridas, que retrata a complexidade do transtorno. A imagem já
é difundida mundialmente como forma de conscientizar a sociedade para a causa.
No Ceará, o símbolo do autismo passou a ser estampado na cor azul nas cédulas
logo após a Pefoce introduzir um novo modelo para as carteiras de identidade,
que também possibilitam a inclusão dos demais símbolos que representam outras
pessoas com necessidades especiais. Desde o mês de julho, a CIHPB realizou 49
atendimentos para pessoas com autismo.
Pessoas com autismo ainda enfrentam muitas dificuldades em
serem reconhecidas e terem seus direitos respeitados, pois, o transtorno,
diferentemente da síndrome de down, por exemplo, não apresenta nenhuma evidência
física ou alteração na aparência. O TEA é uma disfunção neurológica que acomete
pessoas no mundo todo. A patologia engloba diferentes características
ocasionadas por deformações no desenvolvimento neurológico que podem causar
dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem, dificuldade
de formar o raciocínio lógico, dificuldade de socialização, desenvolvimento de
comportamentos restritivos e repetitivos.
Reconhecimento
O que muda na vida dos autistas e pais que possuem filhos com
autismo quando eles passaram a ter a sua condição reconhecida e estampada em um
documento oficial é a garantia de ter os direitos básicos respeitados, como
explica Márcia Maia, autônoma, que tem dois filhos com TEA. “Eu tenho dois
filhos com autismo em casa, um com 6 anos e outro de 11 anos. Já foi bem mais
difícil lidar com as pessoas em determinadas situações, principalmente com o
mais velho, pois a falta de compreensão era maior. Hoje em dia a informação
está mais acessível, porém ainda sofremos bastante preconceito nos lugares em
que vamos”, conta.
O filho mais novo de Márcia foi um dos primeiros cidadãos
no Estado a ter a sua condição TEA estampada em seu documento de identidade.
Esta medida tende a facilitar os acessos necessários que o filho de Márcia
necessita. “O próprio Estado reconhecer a condição deles em um registro oficial
vai fazer com que eles tenham mais visibilidade e vai ajudar também nas
permissões em espaços e serviços, porque a gente tem sempre que andar com
papéis (laudos) para comprovar. Temos que ficar explicando a todo instante que
os filhos têm que ter atendimento prioritário, mas as pessoas, às vezes, negam
por desconhecer a condição e até confundem o comportamento das crianças
autistas como ‘danação’”, relata.
A jornalista Helaine Oliveira também enfrenta adversidades
para que o seu filho usufrua de seus direitos. O filho de Helaine, de 7 anos,
foi diagnosticado com autismo em 2015. Na época, ela fala que enfrentou muita
dificuldade em diversas situações cotidianas e que precisava esclarecer para
todo mundo que seu filho era uma criança com necessidades especiais, inclusive,
teve muita dificuldade para conseguir o cartão prioritário de estacionamento no
próprio órgão emissor do documento, devido à falta de informação das pessoas em
saber que pessoas com autismo também são consideradas deficientes. “Com a
possibilidade de ter a carteira de identidade mostrando que os nossos filhos
são pessoas com autismo, eu acredito que a conscientização da sociedade vai ser
muito maior. Uma vez que a gente mostre um documento legítimo que identifique a
condição dos nossos filhos como deficiente e que ele tem direitos garantidos
por lei, nós vamos conseguir muito mais compreensão da sociedade”, argumenta.
Emissão do documento
Para a inclusão do símbolo do autismo na carteira de
identidade é necessário levar no dia do atendimento um laudo médico assinado
por um neurologista que comprove que a pessoa tem a condição autista. Além de
toda a documentação obrigatória – registro civil; certidão de nascimento para
solteiros, certidão de casamento para casados/divorciados e viúvos. A primeira
via do documento continua sendo gratuita, para a segunda via paga-se uma taxa
de R$ 51,13. É garantida a isenção do pagamento da taxa da 2ª via às pessoas
que estão inseridas no Cadastro Único do Fundo Nacional da Secretaria de
Proteção Social, Justiça, Mulheres e Direitos Humanos (SPS); pessoas
desempregadas, desde que estejam recebendo as parcelas do seguro-desemprego;
pessoas acima de 60 anos; pessoas em situação de vulnerabilidade social,
mediante apresentação de declarações das assistências sociais do Estado ou do
Município; e aos cidadãos que tenham sido vítimas de roubo, desde que comprovem
através de registro de boletim de ocorrência policial e que o caso tenha sido
comprovado pelas autoridades que investigam.
Desde o mês de julho, a CIHPB passou a emitir os documentos
em um novo modelo, desde então, realizou 49 atendimentos para pessoas com
autismo. Todas as informações sobre o novo documento de identidade podem ser
acessadas no site da Pefoce através do link:
https://www.pefoce.ce.gov.br/2019/06/26/nova-carteira-de-identidade/
A CIHPB informa ainda que o modelo anterior das cédulas de
identidade não perde a validade, ou seja, não é necessário realizar a troca de um
documento por um novo, apenas se houver necessidade. A Pefoce emitiu de janeiro
a agosto deste ano 284,4 mil carteiras de identidade, entre 1º e 2º vias do
documento em todo o Estado.
SSPDS
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