Aumento da conta de luz no Ceará que seria de 24% será reajustado, diz Aneel
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai rever os reajustes
tarifários aprovados de fevereiro a maio para considerar no cálculo a devolução
de tributos pagos a mais pelos consumidores de energia no passado. A tendência
é que os reajustes sejam reduzidos. O Ceará teria o reajuste mais alto, de 24%.
A informação foi divulgada pela diretora-geral interina da Aneel, Camila
Figueiredo Bomfim Lopes, durante reunião desta terça-feira (28) da diretoria da
agência.
A devolução dos tributos pagos a mais pelos consumidores foi objeto de projeto
de lei aprovado pelo Congresso Nacional neste mês, numa ofensiva do Congresso e
do governo para atenuar os reajustes da conta de luz em ano eleitoral.
O projeto foi sancionado sem vetos pelo presidente Jair Bolsonaro na
segunda-feira (27). A publicação consta no "Diário Oficial da União"
desta terça-feira (28).
A mesma lei que autorizou a devolução dos valores obriga a Aneel a aplicar os
descontos nos reajustes tarifários das distribuidoras de energia e a fazer uma
revisão tarifária extraordinária no caso daquelas que já passaram pelo processo
de reajuste.
Os termos dessa devolução, contudo, serão definidos pela Aneel. Ao todo, há um
saldo de R$ 48 bilhões em créditos tributários para serem usados, frutos de
impostos pagos a mais pelos consumidores na tarifa.
13
distribuidoras
Ao g1, a Aneel informou já que foi aberto um processo específico de revisão
tarifária para cada distribuidora de energia que passou por reajuste no começo
deste ano.
Ao todo, 13 distribuidoras de energia terão seus reajustes tarifários
homologados revistos: Sulgipe (SE), Celpe (PE), Enel Ceará (CE), Neoenergia
Coelba (BA), Neoenergia Cosern (RN), Energisa Sergipe (SE), Energisa Mato
Grosso (MT), Energisa Mato Grosso do Sul (MS), CPFL Paulista (SP), CPFL Santa
Cruz (SP, MG e PR), Enel Distribuição Rio (RJ), Light (RJ), Energisa Borborema
(PB).
Essa era uma demanda do Congresso Nacional, já que os reajustes aprovados até
maio pela Aneel estavam, em média, em 18%. Em alguns casos, chegaram a quase
24%, conforme mostrou o g1.
Questionada, a Aneel afirma que a tendência é que os reajustes aplicados sejam
reduzidos.
Reajustes de junho
Os reajustes mais recentes, aprovados neste mês de junho, já consideraram a
devolução dos valores, antes mesmo da lei ser sancionada.
Por isso, explica a Aneel, essas distribuidoras não precisarão passar por
revisão extraordinária, pois o cálculo das tarifas já considerou o benefício. É
o caso, por exemplo, da Cemig (MG) e da Enel São Paulo.
Entenda o caso
Durante anos, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS,
imposto estadual) foi utilizado na base de cálculo dos tributos federais PIS e
Cofins.
No entanto, em 2017, o Supremo Tribunal Federal entendeu que o ICMS não poderia
compor a base do PIS e Cofins.
O imposto pago a mais foi devolvido às distrbuidoras na forma de crédito
tributário, a ser abatido dos reajustes tarifários, em benefício do consumidor.
Ao todo, há R$ 60 bilhões, só que R$ 12 bilhões já foram utilizados em anos
anteriores em que houve acordo da Aneel e da distribuidora, sobrando um saldo
de R$ 48 bilhões para ser usado.
Fonte:
G1 CE
