Ceará é o primeiro Estado a proibir a pulverização aérea de agrotóxicos
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Foto: Pixabay
O Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos, 11 de janeiro, é uma data
oportuna para destacar que o governador do Ceará, Camilo Santana, sancionou o
Projeto de Lei Nº 18/2015, aprovado em plenário na Assembleia Legislativa do
Ceará (AL-CE) em dezembro, que proíbe a pulverização aérea por químicos em todo
o Estado. A partir da última quarta-feira, 9 de janeiro de 2019, os produtores
que utilizarem do procedimento estarão sujeitos a multas de até R$ 63,9 mil.
O Ceará tornou-se o primeiro Estado brasileiro a proibir o despejo de
veneno a partir de aviões. Mais conhecida como Lei Zé Maria do Tomé, traz o
nome do líder comunitário e ambientalista que denunciava o uso indiscriminado
dos tóxicos na região da Chapada do Apodi, entre os estados de Ceará e Rio
Grande do Norte.
A região, tantas vezes banhada pelos aviões pulverizadores, coleciona
mortes por intoxicações por agrotóxicos e índices assustadores de câncer – em
Limoeiro do Norte (CE), uma pessoa morre por câncer a cada nove dias, de acordo
com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Em 2012, a Companhia de Gestão dos
Recursos Hídricos (Cogerh) constatou contaminação por resíduos de agrotóxicos
em todos os 20 poços profundos analisados.
Quatro anos antes, um trabalhador rural do setor de pulverização de uma
multinacional morreu pela exposição continuada aos químicos. A empresa foi
condenada em todas as instâncias a indenizar a família de Vanderlei Silva,
tornando o primeiro caso nacional de indenização individual de morte por
agrotóxicos.
Já em 2013, nova pesquisa apontou alteração nos cromossomos de 20% dos
trabalhadores rurais examinados. É o estudo científico mais contundente no País
a relacionar os agrotóxicos a câncer.
Todas essas ocorrências deram-se na região jaguaribana. José Maria
Filho, mais conhecido como Zé Maria do Tomé, foi assassinado com 21 tiros em
2010. De acordo com o inquérito policial e consequente denúncia pelo Ministério
Público Federal, o dono de uma fazenda produtora de banana, que também fazia
uso da pulverização aérea, foi o mandante do crime.
Para o deputado estadual Renato Roseno, autor do Projeto de Lei, a
pulverização aérea gera impactos irreversíveis, já denunciados amplamente em
vários países, sobretudo da União Europeia. “Há relatos de comunidades inteiras
que sofriam contaminação causada pela deriva, quando o vento leva os produtos
tóxicos”, detalha.
Um estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa em Agropecuária
(Embrapa) apontou que pelo menos 19% do agrotóxico manejado na pulverização
aérea é dispersado para áreas externas à plantação. Outros 49% são retidos pelo
solo e apenas 32% alcançam efetivamente a plantação. A Embrapa tem buscado
soluções tecnológica para a redução da deriva.
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag)
manifestou contrariedade à aprovação do Projeto de Lei. “Apesar de à primeira
vista parecer uma medida eficiente no combate ao uso de agrotóxicos, na verdade
terá como consequência exatamente o aumento do mau uso dos produtos nas
lavouras. A norma retira de cena justamente a única ferramenta de aplicação com
regulamentação própria e fiscalizável”, diz o Sindag.
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) divulgou nota de apoio à
sanção do Projeto de Lei nº 18/15. O documento ressaltava que “a prática da
pulverização aérea representa afronta e violação do direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, sendo este um direito fundamental reconhecido e
indiscriminadamente assegurado a todos”.
Além disso, o MPCE manifestou que, com a nova Lei, a proibição
ultrapassa a condição de recomendação acadêmica e se converte em garantia à
efetivação do direito, “resultando na concreta melhoria da saúde e qualidade de
vida de todo o povo cearense”. A nota foi assinada pelo procurador-geral de
Justiça, Plácido Rios.
A problemática da contaminação por agrotóxicos foi o tema do filme
documentário Sweet Venom, uma co-produção Brasil Estados Unidos, que retratou
as intoxicações no Estado do Ceará.
Fonte: Agência EcoNordeste
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