Excedente de presos da PIRC dobra em um ano
Mumbai
Ahmedabad
Foto: Arquivo/André Costa
A Penitenciária Industrial Regional do Cariri (PIRC) fechou o mês de
janeiro com excedente de 65% no número de detentos. Conforme a Secretaria de
Administração Penitenciária (SAP), a unidade prisional possui capacidade para
encarcerar 549 presos, mas, atualmente, abriga cerca de 900, confirmando um
excedente de 357 detentos. Em 2018, o percentual de déficit carcerário da penitenciária
era de 30%, com excesso de 168 encarcerados. Os números constam no mais recente
Relatório de Estatística do Sistema Penitenciário Cearense, divulgado na última
semana pela SAP.
O presidente da Comissão de Direito Penitenciário (CDP) da OAB,
subsecção de Juazeiro do Norte, Jerry Cruz, manifesta preocupação com o quadro
de superlotação da maior unidade prisional do Cariri e promete convocar os
integrantes da CDP para uma reunião em regime de urgência. “Essa questão será tratada
como prioridade pela nossa comissão. De antemão, vamos nos reunir para avaliar
o quadro, a partir dos indicadores existentes, e definir quais providências
precisam ser adotadas para amenizar a situação”, conta
Ainda conforme o presidente da CDP, o salto no percentual excedente de
detentos na PIRC pode estar relacionado ao fechamento de cadeias de menor porte
em algumas cidades do Cariri. Ele cita como exemplo a recente desativação dos
presídios de Missão Velha, Barbalha, Jardim e Brejo Santo. “Ainda não compreendemos
o porquê do governo ter fechado essas cadeias, pois quase todas possuem
condições de funcionamento para manter os presos”, frisa Jerry Cruz, afirmando
que a OAB deve requisitar à SAP, via ofício, os motivos para o fechamento dos
presídios.
A desativação de algumas unidades prisionais do interior, entre as quais
quatro no Cariri, ocorreu por decisão do novo Secretário de Administração
Penitenciária, Mauro Albuquerque, no início de Janeiro. Após a medida, mais de
1000 presos em todo o Estado foram transferidos para penitenciárias de maior
porte. No Cariri, conforme apurado pela nossa reportagem, os detentos
encarcerados nos presídios desativados foram transferidos para a PIRC e cadeia
pública de Juazeiro do Norte.
A curva crescente no percentual excedente de presos da PIRC - 30% em
janeiro de 2018 para 65% no mesmo mês de 2019 – é monitorada com atenção
redobrada pelos membros da CDP. O presidente teme que a superlotação possa
comprometer algumas garantias previstas em lei para os detentos. “O
abarrotamento de presos na PIRC não pode afetar as condições mínimas de
sobrevivência dos detentos. Os serviços de tratamento médico e alimentação não
podem ser afetados em hipótese alguma”, afirma Jerry Cruz, enfatizando ainda que
a CDP monitora a superlotação da PIRC com cautela e atenção, e que a OAB está
disposta a adotar providências legais que visam desafogar a cheia da maior
unidade prisional do Cariri.
O Jornal do Cariri entrou em contato com a SAP para saber o que a pasta
pretende fazer para gerir a quadro de superlotação verificado na PIRC, porém,
até o fechamento desta matéria, nenhum representante da secretaria quis se
pronunciar.
Fonte: Jornal do Cariri
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