Foto: Agência Globo
Críticas contundentes aos dois líderes das pesquisas e uma
última tentativa dos candidatos de se apresentarem como uma terceira via
marcaram o debate entre os presidenciáveis promovido na noite de ontem pela TV
Globo. Ausente do encontro, sob alegação de ainda estar em recuperação médica,
o líder nas intenções de voto, Jair Bolsonaro (PSL), foi o alvo preferencial
dos adversários, mostrado como uma aposta de risco e acusado de ter preferido
fugir do debate.
Críticas contundentes aos dois líderes das pesquisas e uma
última tentativa dos candidatos de se apresentarem como uma terceira via
marcaram o debate entre os presidenciáveis promovido na noite de ontem pela TV
Globo. Ausente do encontro, sob alegação de ainda estar em recuperação médica,
o líder nas intenções de voto, Jair Bolsonaro (PSL), foi o alvo preferencial
dos adversários, mostrado como uma aposta de risco e acusado de ter preferido
fugir do debate.
Deixado de lado pelos rivais em outros debates na TV aos
quais faltou, Bolsonaro, em ascensão nas pesquisas nos últimos dias, desta vez
foi criticado e cobrado a responder sobre polêmicas acerca de sua campanha.
Marina Silva (Rede) afirmou que o candidato do PSL “amarelou” ao não
comparecer, enquanto Ciro Gomes (PDT) disse que pretendia “tirar a máscara” de
Bolsonaro, lembrando de declarações controversas de seu candidato a vice,
Hamilton Mourão, e do economista Paulo Guedes, seu principal auxiliar.
Geraldo Alckmin (PSDB), que durante a campanha fez duros
ataques a Bolsonaro e Haddad, desta vez concentrou suas críticas no petista,
deixando para os concorrentes a exploração de pontos fracos do candidato do
PSL.
Logo no início, Marina e Ciro apelaram à racionalidade do
eleitor quanto ao clima de ódio e polarização que tem tomado a campanha. A
primeira pergunta do debate, do pedetista à candidata da Rede, foi se ela
enxerga a chance de um novo impeachment interromper o mandato do presidente
eleito em outubro por causa da “disputa assentada no ódio”.
— Não acredito que se tenha condição de governar o Brasil a
permanecer essa polarização. A guerra em que alguns estão votando por medo de
Bolsonaro e outros por medo do Haddad, ou por raiva um do outro, joga o Brasil
em mais quatro anos de instabilidade — afirmou.
Polarização
Ciro, Henrique Meirelles (MDB) e Marina usaram a expressão
“salvador da pátria”, para afirmar que o país deve evitar candidatos
personalistas. Eles se referiam tanto a Bolsonaro quanto à campanha de Haddad,
calcada na figura do ex-presidente Lula.
— É o drama do Brasil. O choque entre duas personalidades
exuberantes, o lulismo e o antilulismo que Bolsonaro interpreta. Não existe
salvador da pátria. Temos 63 milhões de endividados, 13 milhões sem emprego. É
grave — afirmou Ciro Gomes.
Fernando Haddad reservou seu ataque a Bolsonaro para acusá-lo
de pretender acabar com o 13º salário, direito trabalhista criticado pelo vice
Mourão, e o bolsa família, vitrine do governo do PT.
Alckmin fez uma revisão da estratégia que apresentou nos
últimos meses. Ao longo da campanha, o tucano distribuiu ataques ao PT e a
Bolsonaro, que, segundo as pesquisas, conquistou o eleitorado dos principais
redutos tucanos pelo país. Sem ter conseguido avançar nas pesquisas desde o
início da campanha, no debate de ontem Alckmin evitou bater diretamente em
Bolsonaro, concentrando as críticas em Fernando Haddad.
Em sua primeira participação, Alckmin responsabilizou os
governos petistas pelo desemprego. E afirmou que o partido é o culpado pelo
governo do presidente Michel Temer, que tem recorde de impopularidade (89% de
desaprovação na última pesquisa Ibope). Ao responder a críticas de Haddad aos
governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Alckmin atacou:
— O PT terceiriza responsabilidades. O PSDB está fora do
governo há 16 anos. Quem escolheu o Temer foi o PT, quem quebrou o governo foi
o PT — disse Alckmin.
Marina Silva, que vem caindo nas pesquisas, também foi dura
nas críticas a Fernando Haddad. Num confronto direto com o petista no púlpito
montado no centro do estúdio, ela cobrou do ex-prefeito de São Paulo uma
autocrítica do PT pelos casos de corrupção e pela má gestão da economia no
governo Dilma.
— É lamentável que você não reconheça nenhum dos erros.
Você, Haddad, tem oportunidade e não o faz. Quando a gente está diante de uma
crise como essa, é preciso pensar em projeto de país, e não em projeto de poder.
O Brasil está à beira de um esgarçamento sem volta, entre seu projeto e o do
Bolsonaro.
Petrobras
Marina Silva, que vem caindo nas pesquisas, também foi dura
nas críticas a Fernando Haddad. Num confronto direto com o petista no púlpito
montado no centro do estúdio, ela cobrou do ex-prefeito de São Paulo uma
autocrítica do PT pelos casos de corrupção e pela má gestão da economia no
governo Dilma.
— É lamentável que você não reconheça nenhum dos erros.
Você, Haddad, tem oportunidade e não o faz. Quando a gente está diante de uma
crise como essa, é preciso pensar em projeto de país, e não em projeto de
poder. O Brasil está à beira de um esgarçamento sem volta, entre seu projeto e
o do Bolsonaro.
Outra estratégia de Haddad para o debate foi se vincular à
imagem do ex-presidente Lula junto à população mais pobre do país.
— O Lula governou para todos. Tratou do servente ao
banqueiro com a mesma dignidade. Governou olhando para os mais pobres. Vou
reabrir o Palácio do Planalto para todos os brasileiros.
Alvaro Dias (Podemos) priorizou o combate à corrupção em
todas as suas intervenções no debate. Ele ofereceu a Haddad um pedaço de papel,
dizendo que se trataria de uma pergunta endereçada ao ex-presidente Lula, preso
atualmente em Curitiba. Em outro momento, numa pergunta a Alckmin, o candidato
do Podemos atacou o PT usando uma frase que vem usando em debates:
Outra estratégia de Haddad para o debate foi se vincular à
imagem do ex-presidente Lula junto à população mais pobre do país.
— O Lula governou para todos. Tratou do servente ao
banqueiro com a mesma dignidade. Governou olhando para os mais pobres. Vou
reabrir o Palácio do Planalto para todos os brasileiros.
Alvaro Dias (Podemos) priorizou o combate à corrupção em
todas as suas intervenções no debate. Ele ofereceu a Haddad um pedaço de papel,
dizendo que se trataria de uma pergunta endereçada ao ex-presidente Lula, preso
atualmente em Curitiba. Em outro momento, numa pergunta a Alckmin, o candidato
do Podemos atacou o PT usando uma frase que vem usando em debates:
Direito de resposta
O único direito de resposta concedido no debate foi para
Meirelles, acusado por Alvaro Dias de ter sido citado na delação do ex-ministro
Antonio Palocci e estar envolvido em corrupção.
—Estamos vendo muita briga, mas precisamos de propostas.
Precisa de competência, experiência, alguém que já tenha mostrado resultado.
Tirei o país da maior recessão da História. Saímos do fundo do poço, agora tem
que começar a crescer.
Em sua principal intervenção, Guilherme Boulos (PSOL) fez
um discurso incisivo para afirmar que uma vitória do candidato do PSL pode
representar um retrocesso aos tempos da ditadura .
— Não dá para fingir que está tudo bem. Faz 30 anos que o
país saiu da ditadura, e nunca estivemos tão perto (de voltar). Só estamos
aqui, discutindo futuro, só vamos votar domingo, porque muita gente morreu, deu
a vida para isso. Quando nasci, era ditadura. Não quero voltar. Começa assim:
com arma, achando que se resolve na porrada. Temos que botar a bola no chão e
dar um grito: ditadura nunca mais.
Nos momentos de menos ataques e acusações e mais
programáticos, o emprego foi o tema predominante. A reforma trabalhista também
foi tema recorrente no último debate entre os candidatos à Presidência antes do
primeiro turno. Depois do embate no primeiro bloco, Boulos e Alckmin seguiram a
discussão quando o candidato do PSOL voltou a escolher o tucano como alvo de
uma pergunta, no segundo bloco.
— Você diz que a reforma trabalhista não retirou direitos,
e vou fazer uma correção: teve a terceirização, teve trabalho de mulher grávida
em ambiente insalubre. Podemos citar vários direitos aqui — disse Boulos.
Alckmin ponderou que a legislação referente ao trabalho de
grávidas tem problemas, mas defendeu a terceirização:
— O funcionário da empresa terceirizada tem os mesmos
direitos dos outros. A questão da mulher grávida eu vou corrigir — afirmou.
A postura considerada autoritária de Bolsonaro foi
classificada como risco à democracia pelos candidatos.
Ciro Gomes também colocou em debate discussões sobre
mudanças na legislação trabalhista, associando-as às diretrizes econômicas
adotadas por Bolsonaro. No mesmo raciocínio, o candidato do PDT criticou o
modelo tributário proposto pelo economista Paulo Guedes, um dos principais
conselheiros de Bolsonaro.
— O candidato que lidera as pesquisas tem seu vice dizendo
que vai acabar com o 13º e com o adicional de férias. Tem seu principal
conselheiro, que ele chama de “Posto Ipiranga”, e já sugeriu até a volta da
CPMF.
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