Ceará tem três mortes pela Covid-19 em meio à alta de casos
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Curva ascendente de pacientes com testagem positiva ao
coronavírus Sars-Cov-2 trouxe à tona, ontem, um novo dado: os três primeiros
óbitos por Covid-19 no Ceará. As mortes, de um homem e duas mulheres, acontecem
em meio à confirmação de mais 27 casos em um único dia. Idosos, eles moravam em
Fortaleza. Com os últimos diagnósticos positivos, a Secretaria Estadual da
Saúde (Sesa) aponta agora que a doença pandêmica já infectou 238 pessoas em 12
dias.
O primeiro óbito confirmado pela reportagem do Diário do
Nordeste ainda na manhã dessa quinta-feira (26) trata-se de José Maria Dutra,
de 74 anos. O paciente, que estava internado há cinco dias na Unidade de
Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São José (HSJ), em Fortaleza, tinha
diabetes controlada e faleceu por "insuficiência respiratória causada por
uma infecção pulmonar por Covid-19", aponta o laudo.
José Maria Dutra havia procurado a Unidade de Pronto
Atendimento (UPA) do Edson Queiroz no dia 18 de março último, uma semana antes
de morrer. Sintomático para gripe, ele apresentava ainda febre e falta de ar,
mas recebeu alta médica após medicação. Dois dias depois, com piora no quadro
clínico, o idoso recorreu ao HSJ, onde permaneceu internado até o registro de
sua morte.
As outras duas vítimas recebiam atendimento em hospitais da
rede privada. Na segunda paciente, identificada como Zelinda Cidrão, de 85 anos,
os sintomas iniciais apareceram no dia 12 de março, quando entrou em
quarentena. Retornou à unidade de saúde no feriado de São José e faleceu na
manhã de ontem. "Lembraremos sempre dos sorrisos e da alegria dela em
vida. Era muito amada por todos ao seu redor", disse um familiar. Já a
terceira mulher, de 84 anos, que não teve a identidade revelada, possuía
doenças crônicas, segundo a Sesa.
"Eu quero lamentar os óbitos e me solidarizar com as
famílias, desejar esperança, muita energia e força para superar esse
momento", ponderou o governador Camilo Santana em transmissão ao vivo.
Alta
Desde que o Ceará contabilizou os primeiros casos da
enfermidade, no dia 15 de março, o saldo de infectados pelo vírus cresce a cada
dia. O mais recente informe epidemiológico da Sesa mostra que as 238
confirmações pela Covid-19 no Estado estão mapeadas em cinco municípios. A
Capital, isolada, concentra 224 casos, o que representa 94% do total.
Aquiraz, que tem 6 casos, continua sendo a única cidade da
Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) com registros. No interior, apenas o
município de Groaíras teve nova confirmação com uma pessoa infectada. Sobral
(4), além de Fortim, Juazeiro do Norte e Mauriti, com um caso cada, não tiveram
alterações em 24 horas. As outras pessoas, de Uberlândia (MG) e São Paulo, que
constavam no balanço da Sesa porque receberam o resultado do exame no Ceará,
foram retiradas. A partir de agora, contaminados em outros estados não entrarão
mais na contagem local.
Perfil
Conforme o boletim, 56,3% dos contaminados por coronavírus
no Ceará têm entre 20 a 49 anos, sendo a faixa etária coma prevalência mais
alta da doença. Ao todo, 134 pessoas com essas idades testaram positivo. Na
sequência, estão 72 pacientes entre 50 a 69 anos, isto é, 30,3% do total.
Idosos a partir de 70 anos anotaram 23 casos (9,7%), enquanto crianças de 1 a 9
anos, 5; 10 a 19 anos, 3, e apenas uma menor de um ano está com Covid-19. Até
ontem, a Sesa notificou 4.129 casos suspeitos, mas 238 foram descartados.
Dentre as confirmações, 21 estão hospitalizados, sendo 12 em UTIs e 9 em
enfermarias.
Entre os nove estados da região Nordeste, o Ceará continua
com o maior volume de pessoas acometidas pelo coronavírus, na frente da Bahia
(104), Pernambuco (48), Rio Grande do Norte (19), Sergipe (16), Alagoas (11),
Maranhão (10), Piauí (9) e Paraíba (5). Ao mesmo tempo, lidera junto com
Pernambuco em mortes. As informações foram atualizadas pelo Ministério da Saúde
às 17h de ontem.
Se no Ceará, onde aconteceram três mortes de uma só vez no
12º dia após o primeiro diagnóstico, em São Paulo, estado com mais casos no
Brasil, o óbito foi 17 dias depois. Já o Rio de Janeiro, que está em segundo
lugar no balanço federal e registrou o diagnóstico por coronavírus em 5 de
março, teve a primeira vítima no dia 17, resultado igual ao local.
Reclusão
Apesar das mortes, a Secretaria Estadual da Saúde pondera
que o Ceará continuará na fase de mitigação da pandemia. Esta etapa orienta que
as estratégias de enfrentamento à doença continuem priorizando impedir a
evolução rápida de novos casos e garantir a assistência de pacientes
vulneráveis e graves.
Para o infectologista Anastácio Queiroz, a etiqueta de
prevenção deverá ser reforçada, sobretudo entre os pacientes com doenças
crônicas. "Todos devem estar no isolamento social mas, principalmente, a
população que pode ter complicações mais sérias, precisa evitar o
contato", defende o especialista, complementando ainda que o número de
mortes no Ceará em relação à quantidade de casos "infelizmente, está
dentro do esperado".
Durante pronunciamento nas redes sociais, o titular da
Sesa, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, reiterou que a
orientação local é para as pessoas continuarem em reclusão domiciliar. A medida
se faz necessária, ele argumenta, porque o Ceará já está na fase de transmissão
comunitária ou sustentada, quando já não é mais possível rastrear quem originou
as cadeias de infecção.
O secretário reiterou a solicitação feita ao Ministério da
Saúde para ampliação de leitos na Região Metropolitana e no interior. "Até
os próximos 15 dias, nós estamos falando em disponibilizar leitos de terapia
intensiva em Itapipoca, Iguatu, Icó, Tauá, Crateús, Tianguá e Aracati",
pontuou.
Diário
do Nordeste
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